Uma das regras que existe com a minha patroa, é alternar as festividades do Natal e Ano Novo. Um ano lá em cima, outro cá em baixo. Este ano passarei o Natal no meio do Alentejo, na vila das Alcaçovas, concelho de Viana do Alentejo. Custou-me um pouco no início. Confrontei-me com um conjunto de tradições e práticas que não estava habituado. Faltava-me o polvo, a couve penca, a roupa velha, o granito das ruas. Ao fim de alguns anos, enriquecemos culturalmente. Existe um cruzamento na gastronomia praticada cá por casa. Os produtos nativos de cada zona são misturados, preparados à moda da outra. Os clientes têm gostado.
Em jeito de preparação, irei partilhar com vocês a prova de três vinhos alentejanos. Uma pequena viagem, sem grande emoções, pela enorme planície do Sul.
Abreu Callado Touriga Nacional 2005, da responsabilidade da
Fundação Abreu Callado.
"As vinhas estão plantadas junto a Benavila e remontam a meados dos anos 50, estando ainda hoje em produção algumas dessas cepas pioneiras. São cerca de 52 hectares de terrenos franco-argilosos, beneficiados pela amenidade do clima que a Barragem do Maranhão propicia, e que se reflecte na qualidade e excelência dos vinhos, cuja responsabilidade técnica é do enólogo Engº. António Frederico Falcão.
Igualmente localizada em Benavila, a adega mantém os métodos tradicionais de vinificação e envelhecimento, e as ânforas argelinas, inicialmente instaladas em 1956, ainda estão em pleno funcionamento, havendo capacidade para armazenar duas ou três colheitas consecutivas."Lembra passas envolvidas por compotas. Flor quente e doce (confuso, não é?). Breve sugestão a mineral, tentava desafiar. Na boca, pareceu-me um pouco verde, cru, áspero. Taninos e acidez pareciam sentados num patamar aparentemente elevado. Talvez sinais de juventude. Vale a pena uma nova prova.
Um vinho que quer voar mais alto, dando o sinal de que a Fundação também quer entrar na duro mercado dos vinhos.
Nota Pessoal: 13,5
Roquevale Tinto da Talha Grande Escolha 2004O nome é bastante interessante:
Tinto da Talha. Faz parte da memória do vinho alentejano. Era prática, no passado, estagiar os vinhos em talhas de barro. Não é o caso deste Roquevale. Um vinho que mostrou alguma complexidade. Com aromas a bosque, musgo e frutos silvestres. Nada pesadão, nem chato. Entra pela boca de forma cordata, não enjoa. Final correcto. Um vinho que não desmerece. Para mais informações saltem até
aqui.
Nota Pessoal: 14,5
E finalmente
Paço do Conde Reserva 2004, que veio
lá do Baixo Alentejo. Da responsabilidade enológica de Rui Reguinga.
Vai direitinho para o meu lote de vinhos que são para esquecer. Normal, igual, flat, regular, sem grande interesse. Sem dar pica ao provador. Enfim, uma pinga que engrossa o grande pelotão dos indiferenciados.
Nota Pessoal: 11